RABI JOÃO ZI E O MESTRE DOS MESTRES

 

 

Bora secar a água da onça,

diz mineiro indo trabalhar

 

 

O rabi João Zi já morava por ali quando se instalou, no mais alto da montanha, o Mestre dos Mestres. Na longa estrada que vinha da vila subindo a montanha e levava ao Mestre dos Mestres, a certo ponto havia uma trilha lateral, que ia dar à cabaninha do nosso rabi, perto do lago. Os peregrinos agora iam e vinham, subindo e descendo pela estrada outrora tão erma, e às vezes pegavam aquela trilha e chegavam à cabana do nosso rabi. O rabi servia-lhes chá enquanto tomavam fôlego para seguir a caminhada, admirando o lago cor de esmeralda e, embora nada cobrasse, o rabi aceitava, quando oferecidas, algumas moedas pela hospitalidade.

 

Certa vez, um peregrino comentou que o Mestre disse “sim”. Outro, porém, comentou que o Mestre disse “não”. Rui, companheiro de pescaria do rabi, observou: “O Mestre me parece contraditório”. Então, o rabi João Zi foi ter com o Mestre dos Mestres.

 

Na casinha do Mestre havia um jardim. Conversaram sobre plantas, o rabi sentia-se à vontade, o Mestre o fazia lembrar alguém da sua infância. 

 

O rabi questionou o Mestre, sobre “sins” e “nãos”. O Mestre não tinha uma doutrina pronta. “Tem gente que é sim, tem gente que é não”, disse o Mestre.

 

Antes de ir, o rabi pegou sua violinha e cantou:

 

Terra e, ao mesmo tempo, semeador

Terra roxa às palavras do Senhor

 

Terra e, ao mesmo tempo, semeador

Recebendo, nutrindo, dando amor

 

O sal da terra, o de bom que a terra tem

De ser adubo não escapará ninguém

 

No seio da terra formam-se cristais

Do mais perfeito se vê através