• Pedro Lobato Moura

Crônicas

VÓ HEBE FOI AO CÉU

Hebe, Hebe

Eu te louvo, Hebe.

Por vossas mãos

o cálice sagrado,

o vinho santo, Hebe.

Vó Hebe, velhinha, por conta de um tombo ficou em coma. Achamos que ela ia partir. Pela televisão, no quarto do hospital, seu filho José viu a notícia: O papa João Paulo II havia morrido. Ateu, José rezou uma ave maria, mãos dadas à dona Hebe inconsciente.

Uma semana depois, vó Hebe voltou do coma. Abriram-se as janelas. Ela contou que esteve numa festa, nas nuvens. Haviam-na solicitado - não se lembrava bem - que servisse vinho numa espécie de celeste recepção.

Santa Hebe, que ensinou Tavinho Moura a tocar violão!

Minha avó, amante de Carlitos, de Tom Jobim e de São Francisco. Encantou-se. Prova de sua influência, de sua alta conta no céu, é esse papa Francisco.

Ps. Em grego, Hebe é a deusa que serve néctar e ambrosia aos deuses no Olimpo.

ECLESIASTES II

by Salominho.

Fique calado, em qualquer ocasião, e dirão que és um homem sério e sábio.

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A verdadeira imunidade é o calo.

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A vida de todo homem é feita de dois momentos: Agora, e na hora da nossa morte.

Amém.

IDADE

Que a vida é pau torando, aprendi com o pau torando. As alegrias são nosso ato heroico. Tudo é ruim, o bom a gente inventa. O sal da terra, eu sou – sazon!

Gozar é uma conquista

Ninguém pode tirar

A graça com que pisca

Meu bem a me olhar

BARRA DO GUAICUÍ

No campo de areia, brinquedos de tronco – um balanço. Do que falamos, o que sentimos, eu e Tereza ali, soltando pipa – não me lembro, nem nunca esqueci. A primeira pescaria no Rio das Velhas, quase onde ele entra no Véio Chico – o primeiro mandi, o primeiro lambari na Barra do Guaicuí – e o sapo boi no barranco.

De noite, o banho frio lá fora, no relento. A cantiga das pererecas, caçadas com lanterna, pererecas morrendo varadas nos chuchos meu e do primo.

No interior de Minas, tudo é outra coisa.

Lembranças de Barra do Guaicuí.

#crônica

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