• Pedro Lobato Moura

Estudando chineses

Estudando chineses

Epígrafe: Jade (um poema concreto)

In its purest form,

nephrite is white,

with a creamy, smooth, warm and glossy appearance.

Under strong light,

it appears semi-transparent.

But often it contains impurities

such as iron, chromium and magnesium,

which influence its color.

Nephrite can also be dark green, bright green, yellow, or brown,

depending on the amount of oxidized mineral ions in the material.

(enciclopédia)

Língua chinesa

Ideogramas, pictogramas, compostos fono-semânticos, ideográficos compostos. Cognatos derivativos, empréstimos fonéticos.

Pictogramas são retratos, ideogramas são abstratos. Como se escreve "eu" em chinês? Neste caso, o Chinês pega o som emprestado – empréstimos fonéticos. Um desenho que soe como “eu”. O canto de um pássaro? A forma de um vaso? O corte do machado? Uma cruz? Acontece que “eu”, em chinês, soa como “a guilhotina que corta a perna dos bandidos”, e é isso que o desenho do ideograma "eu" representa. Mas os falantes de chinês não se lembram disso sempre que escrevem “eu”. Assim o pictograma vira ideograma.

Desenhos no Jade

Ninguém sabe como o povo de Liangzhu gravava seus finos desenhos em Jade, há quatro mil e quinhentos anos atrás. Conferências são feitas. Experiências com cogumelos são feitas. Contatos com alienígenas, tenta-se fazer.

Ninguém sabe como aquele povo desenhava no jade.

Domador de rio

O primeiro herói da China domou o rio Amarelo. Não foi simples assim.

Livros Chineses

Clássico das Montanhas e dos Mares. Clássico das Mil Palavras. O Livro dos Ritos de Zhou. Crônicas de Zuo. Os Anais de Primavera e Outono. O Livro das Mudanças. O Livro das Odes. O Livro dos Documentos. O livro dos Diversos Ramos. Os 360 Ofícios. Anais do Bambu.

Chinês

A palavra “ordenar”, “arranjar”, é o desenho de uma pessoa secando o cabelo. Chineses

não cortavam os cabelos, preciosa herança dos ancestrais. Lavavam-nos sempre, porém, e para secá-los, penteavam e punham para cima os cabelos, ordenando-os, arranjando-os num complexo coque.

Assim, na frase “Respeitosamente siga as ordens do Céu”, (que está no primeiro capítulo do antigo Livro dos Documentos), “siga as ordens do céu” é o desenho de alguém arranjando o cabelo (segundo a ordem do Altíssimo).

Fu Xi

Fu Xi viveu há muito tempo, uns cinco mil anos atrás. Era quase um homem das cavernas. Dizem que ele inventou a pesca, as arapucas e a escrita.

Antes de Fu Xi, diz Ban Gu (num livro antigo de crônicas da dinastia Han), os homens eram como os outros animais: Caçavam com as mãos, comiam cru, bebiam sangue. E os filhotes só conheciam suas mães. Então nasceram Fu Xi e sua irmã Nua. Nua e Fu Xi trabalhavam juntos, criando muitas coisas.

“Fu Xi olhou para o alto e contemplou o céu”, conta a história, “Fu Xi olhou para baixo e contemplou a terra”. Fu Xi caiu em profunda meditação, sentado à margem do rio Amarelo.

Fu Xi estava em profunda meditação quando ouviu alguma coisa que caiu do céu, espatifando no chão não muito longe. Uma nuvem de poeira subiu e baixou, e Fu Xi pode ver uma criatura se levantar com dificuldade, e caminhar cambaleante em sua direção.

Era o Jabuti, expulso da festa no céu.

Quando Fu Xi olhou bem para o casco todo quebrado do Jabuti, viu: o Ba Gua, a dança de yin e yang, símbolos da força que rege todas as mudanças. Então, criou a rede de pescar, as arapucas, a escrita e o casamento.

Fu Xi era um homem bom, mas toda aquela meditação lhe dera uma baita fome. Ele então sacrificou o Jabuti, em oferenda ao Pai Celestial, e comeu sua carne. Na carapaça queimada do Jabuti, aprendeu a ler a sorte do mundo – Fu Xi foi o primeiro homem a oferecer sacrifícios ao Pai Celestial, e o primeiro a praticar oráculos.

Nua, a irmã de Fu Xi, estudou com Zi Nu, a tecelã deusa menina que teceu a via-láctea, filha predileta do Pai Celestial, o Imperador de Jade. Nua aprendeu a fazer belos trabalhos, tecendo, compondo, cantando, cozinhando.

Veio um grande dilúvio, e toda humanidade pereceu, restando somente Fu Xi e sua irmã Nua, vivos no topo da montanha Kunlun. Pediram socorro ao Pai Celestial, Imperador de Jade, e este concedeu permissão para que eles recriassem, se casando, a humanidade. (Alguns dizem que eles fizeram isso usando barro e soprando, misturando os elementos: terra, água, fogo, madeira e metal.)

Os xamãs da China antiga liam a sorte, sabiam das chuvas e das secas, queimando cascos de jabuti, como aprenderam com Fu Xi. Em ossos e cascos de jabuti estão gravadas as crônicas mais antigas dos Chineses e talvez a linguagem escrita mais antiga que ainda está em uso no mundo.

Comentário

Eis o comentário do rabi João Zi, quando ofereceram-lhe um bom emprego no governo: "O jabuti sacrificado é grandemente honrado, antes de ser frito. Não achas que ele preferia ter ficado em paz com seus banhos de lama? Eu prefiro".

Os Sete Sábios do Bambuzal

Os Sete Sábios do Bambuzal que seguiam o Tao. Enchiam a cara e tocavam guitarra, faziam versos e troca-trocas, desafiavam tudo, mas não desafinavam – os Sete Sábios do Bambual.

Um criado os seguia sempre, na mão direita trazia uma garrafa de aguardente (para a vida), na mão esquerda, uma pá. Os Sete Sábios do Taquaril.

Um deles passou bebendo toda a noite e, pela manhã, voltava para casa, nu em pelo. Ao chegar em casa, alguns visitantes o esperavam. Diante de seu escândalo, explicou: “O universo inteiro é minha casa, e minha casa são minhas roupas! Aliás, que fazem vocês nas minhas calças?”

Tomando esta pinga da roça, do Barreiro do Amaral, eu saúdo os Sete Sábios do Taquaral – tudo imortal!

#estudo #crônica

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