PLAGICOMBINADOR AFROCIBERDÉLICO.

Trabalho de colagem de sons. Criação de novas músicas a partir de pedaços de músicas gravadas. Sampler afetivo, homenagens, mas também, roubos. Plágios.

 

Plagicombinação é um conceito criado por Tom Zé. No encarte de seu disco "Com Defeito de Fabricação", ele explica: 

 

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A Estética do Plágio

A Estética de Com Defeito de Fabricação re-utiliza a sinfonia cotidiana do lixo civilizado, orquestrada por instrumentos convencionais ou não: brinquedos, carros, apitos, serras, orquestra de Hertz, ruído das ruas, etc. , junto com um alfabeto sonoro de emoções contidas nas canções e símbolos musicais que marcaram cada passo da nossa vida afetiva. A forma é dançável, rítmica, quase sempre A-B-A. Com coros, refrões e dentro dos parâmetros da música popular.

O aproveitamento desse alfabeto se dá em pequenas “células”, citações e plágios. Também pelo esgotamento das combinações com os sete graus da escala diatônica (mesmo acrescentando alterações e tons vizinhos) esta prática desencadeia sobre o universo da música tradicional uma estética do plágio, uma estética do arrastão (**).

Podemos concluir, portanto, que terminou a era do compositor, a era autoral, inaugurando-se a Era do Plagicombinador, processando-se uma entropia acelerada.

** Arrastão: Técnica de roubo urbano, inaugurada em praias do Rio de Janeiro. Um pequeno grupo corre violentamente através de uma multidão e “varre” dinheiro, anéis, bolsas, às vezes até as roupas das pessoas.

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Mais informações aqui.

 

E Afrociberdelia é um conceito criado por Chico Science & Nação Zumbi. No encarte do disco com o mesmo nome, Bráulio Tavares explica o que é Afrociberdelia:

 

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(Extraído da ENCICLOPËDIA GALÄCTICA, volume LXVII, edição de 2102)

AFROCIBERDELIA (de Africa + Cibernética + Psicodelismo) - s.f. - A arte de cartografar a Memória Prima genética (o que no século XX era chamado "o inconsciente coletivo") através de estímulos eletroquímicos, automatismos verbais e intensa movimentação corporal ao som de música binária.

 

Praticada informalmente por tribos de jovens urbanos durante a segunda metade do século XX, somente a partir de 2030 foi oficialmente aceita como disciplina científica, juntamente com a telepatia, a patafísica e a psicanálise. Para a teoria afrociberdélica, a humanidade é um vírus benigno no software da natureza e pode ser comparada a uma Árvore cujas raízes são os códigos do DNA humano (que tiveram origem na África), cujos galhos são as ramificações digitais-informáticas-eletrônicas (a Cibernética) e cujos frutos provocam estados alterados de consciência (o Psicodelismo).

No jargão das gangs e na gíria das ruas, o termo "afrociberdelia" é usado de modo mais informal:

a) Mistura criativa de elementos tribais e high-tech:
"Pode-se dizer que o romance The Embedding, de Ian Watson, é um precursor da ficção-cinetífica afrociberdélica"
b) Zona, bagunça em alto-astral, bundalelê festivo:
"A festa estava marcada pra começar às dez, mas só rolou afrociberdelia lá por volta das duas horas da manhã".

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Tá explicado?