O LEITOR MODELO

 

Eis, em seu quadrado (como todos estamos), o último leitor. O último leitor de Guimarães Rosa. A última pessoa que experimentou o que é “sertão”, “sabiá”, “minas gerais”, todos aqueles termos que são, para nossos contemporâneos, indecifráveis. Sabemos português, mas somos de outro mundo.

 

Quanta coisa se precisa saber, para entender que Guimarães Rosa foi um gênio, um escritor eminente? Se “sempre-viva”, sem a experiência da flor na lapa alta da Serra, é só um substantivo composto...

 

Este ali é um especialista: Cresceu numa casa com quintal enorme (vergéis viçosos, lautos de pomos tropicais, pitangas, mangas, cajus), viajou, na juventude, toda Minas Gerais, Goiás e Bahia, cheirou bostas de bois e broas de fubás e rios pretos e colos de moças diversas. Estudou Grego, Germânico Antigo, Tupi e Camões inteiros.

 

E, olha só, aqui mesmo enquanto falamos, morreu. Que pena...

 

Logo mais eu vou também e fecha-se este zoológico de leitores, velho, já... É a vida.