Mania - Cipoesia (Pedro Lobato Moura e Fernanda Daniela)
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Mania - cipoesia
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Mania

 

Cipoesia, ô mania,

vai sempre dando, onde dá.

Seca estala, tempo esfria,

fogo pega matagal:

Será que me curo

dessas flores, cipoal?

Sob setembro repousa

a semente do meu mal.

 

Novembro chove sobre o caixão.

Dezembro o filho parece o pai.

 

Poesia pelas tíbias

e os joelhos subirá.

 

Flor laranja que me brota

da orelha, e não devia:

Mania inconveniente

das abelhas, me beijar -

Mel fermenta em minha cuca,

urso venha se fartar.

Samambaias - cipoesia
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Samambaias

 

Doces cabelos na sombra.

Oculto entre as folhas, o mel.

Samambaias amigas do rio,

primeiras dentre todas as plantas -

amor das abelhas no cio.

 

Cantando doces melodias,

cantando para encantar.

Mas precisa molhar sempre, sempre,

para o amor não faltar -

samambaias, estou tão contente!

Cobertor, tapete voador - ciopesia
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Abondo e Marimbelha - cipoesia
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Abondo e Marimbelha

 

Marimbelha quer casar

tá cheia de pó de flor

Abondo tem muito amor

pra dar

 

Abondo é professor

professor particular

aprendeu com o Beija-flor

amar

 

 

Jandira - cipoesia
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Jandira

 

I.

 

Mel de mim.

Toma mel de mim.

Eu o fiz da flor,

eu o fiz da flor

que se fez de sol.

Mel de mim.

 

Urso marrom

dança pra mim,

sou Jandira, a Lambesol -

mel.

 

II.

 

Mãe dos bichos,

tantas tetas -

são mamões

que ela fez de sol.

 

Mãe dos bichos

que bebem água

nestes regos

de terra mãe.

 

Mãe dos bichos,

tantas gretas

de irados zangões

e mel.

 

 

Cobertor, tapete voador

 

Há trinta anos tenho este cobertor

que bisa me deu.

 

Cobertor, tapete voador

Deito, me cubro e voo.

O cantor - Cipoesia
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O cantor

 

Galo cantou a meia noite

e o cantor dormiu

E de manhã, galo cantou

e o cantor se acordou

 

Não era o mesmo cantor

Nunca dormiu, nunca acordou

Galo cantou

Iguaria - cipoesia
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Iguaria

 

Há um Deus que nos observa

como à carne macia?

 

A ovelha fica tenra

mesmo comendo porcaria.

 

Com esta vida mais ou menos

tenho cara de iguaria?

 

Deus me chupe até o osso

é o que gostaria.

Artista - cipoesia
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Artista

 

Secreção de artista, salutar

para quem usa moderadamente.

Fiel ao adágio familiar:

remédio, veneno - questão de dose.

 

 

Canto da uva para Jussara - cipoesia
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Canto da uva para Jussara

 

Pinto teu manto

com tanto prazer,

ó Jussara.

 

Verde obsessivo.

 

Fermento neste astro barril -

cada bactério me melhora.

 

Um canto tão intenso

logo evola.

Jurema - cipoesia
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Jurema

 

Roça em Jaboticatubas

também pitangas dá.

Quem sabe eu não chupe

amora por lá?

 

Cipó, raro rio limpo,

ali nu sei nadar.

Quem sabe me morde

piranha por lá?

 

Em qualquer bosquinhozinho

tatu, quati, gambá.

Quem sabe me apanhe

Jurema por lá?

MANOEL BANDEIRICO - cipoesia
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Manoel Bandeirico

 

Qual Manoel Bandeira, passarinho de pouco peito

Faz só um trico-trico de fundo

será profundo?

 

Encantará alguém, quiçá?

Alguém que esteja cansado que nem eu

de tanto news, de tanto fake news

e procure ouvir o que estivera sempre ali

o que estivera sempre ali, o trico-trico